PEC 12/2026: a conta da "liberdade" pode cair no bolso do bancário

Enquanto o Senado aprova a redução da jornada semanal para 40 horas e o fim da escala 6x1, uma proposta defendida por setores da direita reacende o alerta sobre o futuro dos direitos trabalhistas. A PEC 12/2026 prevê um regime alternativo baseado nas horas trabalhadas e levanta questões sobre renda, férias, 13º salário, FGTS, PLR e negociação coletiva. Para os bancários, o recado é claro: é hora de acompanhar, entender e se mobilizar

 

Flexibilidade para quem?

O discurso parece sedutor: mais liberdade, mais flexibilidade e novas formas de trabalhar. Mas a pergunta é inevitável: liberdade para quem e em quais condições?

De autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), a PEC 12/2026 propõe a possibilidade de escolha entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível, baseado nas horas efetivamente trabalhadas, com direitos proporcionais.

A proposta não acaba automaticamente com férias, 13º salário ou FGTS. O alerta está na mudança que pretende introduzir. Dependendo de como esse regime for aplicado, a remuneração pode se tornar menos previsível e a proteção trabalhista, mais vulnerável.

Para quem depende do salário para sustentar a família, pagar as contas e planejar o futuro, essa discussão está longe de ser abstrata.

 O histórico exige atenção

Durante o governo Bolsonaro, diferentes iniciativas provocaram disputas sobre a jornada e os direitos trabalhistas.

A MP 905/2019 propôs mudanças que afetavam a jornada dos bancários e o funcionamento das agências. Já a MP 1.045/2021 esteve no centro de controvérsias sobre alterações nas relações de trabalho.

Esses episódios mostram por que a categoria precisa acompanhar propostas de flexibilização. Direitos não são preservados apenas porque estão previstos na legislação. A mobilização sindical é fundamental para defendê-los.

Fim da escala 6x1: avanço histórico, mas a disputa continua

Em 14 de outubro, o Senado aprovou a proposta de redução gradual da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. A implementação depende da conclusão formal do processo legislativo.

A aprovação representa um avanço importante para milhões de trabalhadores. Mais tempo para a família, o descanso e a vida pessoal não pode ser tratado como privilégio.

Mas a disputa sobre o futuro do trabalho continua. Enquanto uma proposta avança na direção da redução da jornada, a PEC 12/2026 coloca em discussão um regime alternativo de contratação.

Para os bancários, é fundamental acompanhar como eventuais mudanças podem afetar a jornada diferenciada da categoria, a PLR, os benefícios e a força dos acordos e convenções coletivas.

O presidente do Sindicato, Thyago Miranda, destaca a necessidade de atenção permanente às propostas em discussão no Congresso Nacional. "Não podemos permitir que mudanças nas relações de trabalho sejam apresentadas como modernização sem discutir suas consequências. Nossos direitos são conquistas históricas. Precisamos estar atentos, informados e mobilizados para defender a jornada, a renda e a negociação coletiva", pontuou.

Ainda de acordo com Thyago, a aprovação da redução da jornada representa um avanço importante, mas os trabalhadores não podem baixar a guarda diante das propostas que tramitam no Congresso. "Não basta conquistar mais tempo para viver se, ao mesmo tempo, surgem propostas que podem fragilizar as garantias dos trabalhadores. Precisamos estar atentos ao que está sendo discutido em Brasília e cobrar dos nossos representantes um compromisso real a classe trabalhadora. Nenhum avanço será completo se vier acompanhado de retrocessos nos direitos, na renda ou na força da negociação coletiva", ressaltou.

 

Entenda a PEC e acompanhe a tramitação

A PEC 12/2026 ainda está em tramitação. Conhecer o texto é essencial para entender o que está sendo proposto e cobrar posicionamento dos parlamentares.

Texto e andamento da PEC 12/2026:consulte no Senado Federal.
Participação popular:acesse a consulta pública no e-Cidadania.
Histórico de propostas trabalhistas:consulte a tramitação do PL 1.043/2019 na Câmara.

 

O futuro dos direitos não pode ser decidido pelas costas dos trabalhadores

A categoria bancária conhece o valor de cada conquista. Jornada, PLR, benefícios e negociação coletiva são resultado de organização e luta.

Por isso, o debate sobre a PEC 12/2026 exige informação, transparência e participação sindical. Não se trata de afirmar que os direitos desaparecerão automaticamente, mas de compreender os riscos de mudanças que podem alterar as condições de trabalho e a segurança financeira dos trabalhadores.

 

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