Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban

Encontro marca início oficial da Campanha Nacional Unificada 2026 para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho. Thyago Miranda, presidente do Sindicato dos Bancários, representou a categoria bancária de Alagoas

 

O Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou, na manhã desta quarta-feira (24), a minuta de reinvindicações para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O encontro marca oficialmente o início da Campanha Nacional Unificada para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que deve ter a assinatura renovada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro.

A primeira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada também já tem data marcada. Será no dia 2 de julho, na capital paulista.  

"Esse é um documento construído coletivamente, a partir de conferências regionais, estaduais e com base na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias de todo o país", destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, completando que a minuta contém reivindicações gerais e de grupos específicos, a exemplo das pessoas com deficiência. “;É o resultado de uma construção ampla”;, pontuou.

Juvandia ressaltou ainda que o Comando Nacional representa federações de todas as regiões do país, três centrais sindicais (CUT, UGT, Intersindical e CTB) e diferentes forças políticas.

Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:

- 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;

- Fim das metas abusivas;

- Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);

- Manutenção dos direitos conquistados;

- Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;

- Defesa do emprego bancário;

- Defesa dos bancos públicos;

- Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.

 

Para Thyago Miranda, presidente do Sindicato dos Bancários, a entrega da minuta de reivindicações à Fenaban marca o início de mais uma grande jornada de luta da categoria bancária. "Nossa pauta é legítima e reflete aquilo que os trabalhadores e trabalhadoras apontaram como prioridade: aumento real de salário, valorização da PLR, defesa dos empregos, combate às metas abusivas e proteção da saúde física e mental da categoria. Não é aceitável que os bancos sigam acumulando lucros bilionários enquanto fecham agências, eliminam postos de trabalho e ampliam a pressão sobre quem produz essa riqueza diariamente. Os bancários estão unidos em todo o país e preparados para defender seus direitos, avançar em novas conquistas e exigir uma distribuição mais justa dos resultados que ajudam a construir”;, destacou.

A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, ressaltou que a negociação da categoria bancária serve de parâmetro para outras categoriais. “;Ao longo de anos, construímos uma CCT robusta em direitos sociais e com reajustes reais (acima da inflação). Temos, agora, nesta nova campanha de renovação da CCT, a expectativa de seguir avançando, não só nas pautas econômicas como também nas pautas sociais, na garantia do emprego bancário e do papel social e econômicos que os bancos precisam cumprir”;, completou.

Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.

Entretanto, apesar desse cenário de lucros multibilionários, os bancos seguem fechando agências e reduzindo postos de trabalho. "A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados —; Bradesco, Itaú e Santander —; já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado", reforçou Juvandia Moreira.

A dirigente registrou ainda que, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos. “;Essa reestruturação está preocupando categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nessa campanha nacional”;, arrematou.

Consulta Nacional

O Comando Nacional apresentou aos bancos os principais resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, e que ajudou a nortear o conteúdo da minuta de reivindicações.

Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%. “;Esses resultados apontam que o aumento real, a recomposição salarial acima da inflação, é um fator importante para a categoria”;, destacou Juvandia Moreira.

A dirigente mostrou ainda que a Consulta Nacional, realizada entre os dias 17 de abril e 31 de maio, revela a preocupação da categoria com a saúde mental e combate ao assédio moral e outras formas de violência no ambiente de trabalho.

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

 

Ultratividade

O Comando Nacional também defendeu a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.

 

Lançamento da Campanha da Categoria Bancária 2026

Também nesta quarta-feira (24), ocorreu o lançamento digital da Campanha Nacional Unificada da Categoria com o tema “;Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta”;.

O secretário de Comunicação da Contraf-CUT, Elias Hennemann Jordão, explica que o objetivo da mote aprovado na 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias é reforçar a defesa da vida, da dignidade e dos direitos na mobilização da categoria.

“;A campanha afirma que somos feitos de esperança porque acreditamos na capacidade de transformação da luta coletiva. Mas também deixa claro que essa esperança não é passiva: ela se move pela organização, pela mobilização e pela defesa concreta de salário, emprego, PLR, saúde, direitos e dignidade no trabalho”;, completou.

Quer acessar as notícias da Campanha Nacional Unificada 2026?

Então, acesse este link, para participar da nossa comunidade e receba pelo WhatsApp as informações sobre a mesa única.

Para acompanhar as negociações da mesa específica da Caixa, clique aqui.

E, para a mesa específica do Banco do Brasil, aqui.  

Mais Notícias

+ Ver todas