Sindicato protocola manifestação na Superintendência do Banco do Brasil e cobra resposta em 15 dias sobre condições de trabalho na PSO Maceió
Após meses de cobranças sem resposta, entidade denuncia sobrecarga de trabalho, adoecimento e descumprimento da NR-1 na PSO Maceió e dá prazo de 15 dias para que a Superintendência do Banco do Brasil apresente soluções concretas
Após várias reuniões e tentativas de diálogo sem qualquer medida concreta por parte da gestão do Banco do Brasil, o Sindicato esteve na manhã desta quarta-feira (17), na Superintendência do banco para protocolar uma manifestação formal denunciando o agravamento das condições de trabalho na Plataforma de Suporte Operacional (PSO) de Maceió.
O documento cobra providências urgentes diante do acúmulo de funções imposto aos funcionários, da sobrecarga de trabalho que vem adoecendo a categoria e do cumprimento das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga as empresas a identificar e combater riscos psicossociais no ambiente laboral.
As mudanças implementadas unilateralmente pelo Banco ampliaram significativamente as atribuições dos funcionários da PSO. Além do atendimento ao público e das atividades de caixa e tesouraria, os trabalhadores passaram a executar procedimentos complexos que antes eram realizados por setores especializados, sem treinamento adequado, sem negociação prévia e sem qualquer compensação financeira.
Para o presidente do Sindicato, Thyago Miranda, o banco está transferindo para os trabalhadores o peso de uma reestruturação que prioriza resultados e ignora as consequências para quem está na linha de frente. "Não é razoável exigir que os funcionários acumulem cada vez mais tarefas, assumam novas responsabilidades, continuem sendo cobrados por metas e ainda arquem com os impactos de uma estrutura claramente insuficiente. O Banco do Brasil precisa compreender que por trás dos números existem pessoas adoecendo e pedindo socorro", declarou.
A entidade denuncia que o resultado dessa política tem sido o aumento da pressão diária, da cobrança por metas, do estresse e do adoecimento mental dos trabalhadores. Relatos recebidos pelo Sindicato apontam casos de ansiedade, esgotamento emocional, uso de medicação e afastamentos relacionados às condições de trabalho.
A diretora do Sindicato, Roseane Amaral, destaca que as denúncias recebidas revelam um cenário preocupante. "Os funcionários relatam uma rotina marcada por sobrecarga, insegurança e pressão constante. Não estamos falando apenas de questões administrativas. Estamos falando da saúde física e mental de colegas que diariamente sustentam o funcionamento da unidade", declarou.
Outro ponto considerado grave é a responsabilização individual dos trabalhadores por eventuais falhas operacionais decorrentes justamente da sobrecarga imposta pela própria instituição. Para o Sindicato, não é aceitável que o banco transfira aos funcionários os prejuízos gerados por problemas estruturais e organizacionais.
Além da questão do acúmulo de funções, o documento exige que o Banco cumpra integralmente a NR-1, atualizada pelo Ministério do Trabalho, que passou a exigir a inclusão dos riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos. Entre esses fatores estão a sobrecarga de trabalho, assédio moral, cobrança excessiva por metas, violência organizacional e outras situações que comprometem a saúde física e mental.
O diretor do Sindicato, Carlos Alberto, afirma que a nova legislação reforça uma obrigação que os bancos insistem em ignorar. "A NR-1 não é uma recomendação. É uma obrigação legal. O Banco do Brasil precisa demonstrar de forma concreta quais medidas está adotando para prevenir o adoecimento dos funcionários e combater os riscos psicossociais existentes na unidade", falou.
A manifestação protocolada requer a realização imediata de avaliações dos riscos existentes na unidade, treinamento adequado para os funcionários, levantamento dos impactos à saúde dos trabalhadores, implementação das medidas previstas na NR-1 e abertura de negociação com a representação sindical.
O Sindicato também exige acesso aos documentos de gerenciamento de riscos da unidade e a apresentação de um cronograma detalhado para implementação das medidas obrigatórias previstas na legislação trabalhista.
Na manifestação entregue à Superintendência Regional, a entidade estabeleceu prazo máximo de 15 dias úteis para que o Banco apresente resposta formal e documentada às reivindicações.
Para Thyago Miranda, o prazo representa uma oportunidade para que a direção do banco demonstre disposição para enfrentar os problemas apontados pelos trabalhadores. "Estamos concedendo 15 dias úteis para uma resposta objetiva. O silêncio ou a omissão diante de denúncias tão graves serão interpretados como descaso com a saúde e a dignidade dos trabalhadores. Caso isso aconteça, o Sindicato adotará todas as medidas cabíveis para garantir que os direitos da categoria sejam respeitados", concluiu.
O Sindicato seguirá acompanhando de perto a situação da PSO Maceió e cobrando soluções efetivas para um problema que não pode mais ser empurrado para debaixo do tapete.

