1º de Abril: memória, resistência e denúncia. Ditadura nunca mais!
Passados 62 anos do golpe militar de 1964, o Sindicato dos Bancários de Alagoas reafirma posição firme, política e inegociável em defesa da democracia, da memória histórica e da justiça às vítimas do regime
Há 62 anos, o golpe militar de 1964 interrompia a democracia brasileira e instaurava um regime marcado por censura, prisões, tortura e desaparecimentos. Para o Sindicato o 1º de abril é uma data de denúncia e posicionamento. A entidade reforça que não há neutralidade diante de um período caracterizado por violência de Estado e perseguição a trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais.
Repressão e intervenção no Sindicato
O movimento sindical esteve entre os primeiros alvos da ditadura. Em Alagoas, o Sindicato sofreu intervenção direta: sede invadida, diretoria destituída e substituída por uma junta imposta pelo regime. Documentos e registros históricos foram destruídos, numa tentativa deliberada de apagar a memória da categoria. Dirigentes foram perseguidos, entre eles o então presidente Roland Bittar Benamour, atingido pela repressão política após o golpe.
A violência não se limitou à perseguição institucional. Muitos bancários e dirigentes sindicais foram demitidos de forma sumária, expulsos de seus postos de trabalho por sua atuação política e compromisso com a organização da classe trabalhadora. Foram anos de silêncio forçado, medo e exclusão.
Com o processo de redemocratização, parte dessas injustiças começou a ser enfrentada, e diversos trabalhadores passaram a lutar pela reparação e reintegração aos seus empregos, um caminho longo, burocrático e marcado por resistência.
Há casos emblemáticos que simbolizam essa luta. Como o de Petrúcio Lages, que até hoje segue na batalha pelo reconhecimento de seus direitos, após décadas de perseguição e injustiça. Sua trajetória escancara o tamanho da violência cometida pelo regime e a persistência de quem nunca abriu mão de sua dignidade. Assim como ele, nomes como Eliser Lira e tantos outros carregam na própria história o peso da repressão e a força da resistência.
São histórias que revelam que a ditadura não apenas reprimiu. Ela destruiu trajetórias, interrompeu vidas profissionais e tentou sufocar a organização coletiva dos trabalhadores. Ainda assim, não conseguiu apagar a luta.
Violência que não terminou
A ditadura deixou mortos e desaparecidos em todo o país. Entre eles, Jayme Miranda, avô do atual presidente do Sindicato, Thyago Miranda, desaparecido há 51 anos. Para Thyago, os efeitos desse período seguem presentes. "A ditadura não matou apenas pessoas. Ela retirou das famílias o direito à verdade e ao luto. O desaparecimento forçado é uma violência permanente, que atravessa gerações", declarou.
Resistência e luta
Mesmo sob intervenção, a organização dos bancários resistiu. A retomada da democracia, em 1985, foi resultado da mobilização popular e da atuação de trabalhadores e sindicatos em todo o país. O presidente do Sindicato destaca. "Tentaram destruir nossa organização e apagar nossa história. Não conseguiram. A categoria resistiu e segue firme na defesa da democracia e dos direitos", disse.
O Sindicato reforça que lembrar 1964 é uma ação política diante de tentativas de distorcer a história. A entidade é direta: não houve revolução, houve golpe;
não houve ordem, houve repressão; não houve segurança, houve violência de Estado.
Neste 1º de abril, o Sindicato reafirma sua defesa intransigente da democracia,
valorização da organização sindical, preservação da memória das vítimas,
e combate permanente ao autoritarismo.
A posição é clara: Ditadura nunca mais!
Sem memória, não há democracia. Sem democracia, não há direitos.
Conheça um pouco dessa trajetória de luta no documentário produzido pelo Sindicato, que resgata a história de Petrúcio Lages, um símbolo vivo da resistência, da memória e da busca por justiça.

