Voto feminino no Brasil: 94 anos de luta e resistência!
Sindicato dos Bancários de Alagoas se soma à luta pelos direitos das mulheres cujo DIREITO AO VOTO completa 94 anos em 2026
No mês de fevereiro a conquista do voto feminino completa 94 anos da luta histórica para as mulheres do Brasil. Até o inicio do século XX as mulheres brasileiras eram impedidas de votar e também de serem candidatas. Oficializada em 1932, esta conquista foi resultado de mais de meio século de mobilização feminina e teve protagonismo de educadoras, jornalistas, sindicalistas e sufragistas em todo o país.
Resultado de mais de 50 anos de mobilização de mulheres que, desde o final do século XIX, reivindicavam participação política em um cenário dominado exclusivamente por homens, as mulheres buscaram organizar-se em associações, promoveram debates públicos e pressionaram o poder público para o reconhecimento da igualdade política.
Em 1933, as brasileiras puderam votar e também se candidatar pela primeira vez na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte. No ano seguinte, a Constituição de 1934 consolidou o voto feminino, incorporando definitivamente esse direito à legislação do país.
Entre as diversas lideranças femininas que estiveram à frente do movimento para garantir o direito ao voto feminino destacam-se Nísia Floresta, Josefina Azevedo, Leolinda Daltro, Bertha Lutz, Celina Guimarães, Almerinda Farias Gama e Alzira Soriano.
Entre elas, Alzira Soriano foi à primeira mulher eleita prefeita na América Latina, ao vencer as eleições municipais de Lajes (RN), em 1928, antes mesmo da garantia nacional do voto feminino em 1932. Sua candidatura foi viabilizada pela Lei Estadual 660, de 1927, que autorizou o voto e a elegibilidade de mulheres no Rio Grande do Norte, iniciativa apoiada por lideranças como Juvenal Lamartine e Bertha Lutz. Ao assumir o Executivo municipal em um contexto marcado pelo patriarcalismo da República Velha, Alzira enfrentou resistência, mas consolidou seu pioneirismo como marco da emancipação política feminina no Brasil.
DIREITO ao voto não se traduz em presença politica
De acordo com o Ministério Publico Federal (MPF) no ano de 2026 embora as mulheres correspondam a mais da metade dos eleitores brasileiros —; quase 53% do total —; essa proporção não se reflete nas urnas. Nas últimas eleições, menos de 20% dos políticos eleitos eram mulheres.
O desequilíbrio se reflete nas esferas municipal, estadual e federal. Hoje 14% das prefeituras são comandadas por mulheres, elas são governadoras em apenas dois estados brasileiros e ocupam somente 17% dos assentos da Câmara dos Deputados. Isso faz com que o Brasil esteja na 139ª posição num ranking de 185 países elaborado pela Inter-Parliamentary Union, em relação à participação feminina no Congresso. Mesmo com a COTA PARTIDÁRIA, que prevê a inscrição de 30% de candidatas mulheres pelos partidos nos pleitos eleitorais, o número de mulheres eleitas ainda é pequeno.
A Emenda Constitucional nº 117/2022 obriga os partidos políticos a aplicarem recursos para estimular a participação feminina na política. Pela norma, 5% dos recursos do Fundo Partidário devem ser destinados para a criação e a manutenção de programas de estímulo à participação política das mulheres na política.
Garantir o voto e também garantir mais mulheres no poder
Para Ramonna Mickaelly, diretora de mulheres do Sindicato dos Bancários, a luta para conquista de direitos, como o direito ao voto, ao trabalho remunerado, a participação política e a eleição representativa são constantes, diante de uma sociedade machista e com valores ainda latentes do século passado. "A nossa participação nas eleições é essencial para moldar um futuro melhor e mais igualitário que desejamos", aponta Ramonna.
Segundo Ramonna, "nós estamos acompanhando de perto as nossas trabalhadoras bancárias e também todas as mulheres que trabalham e lutam diariamente contra a violência, contra o machismo e a favor da participação política em todas as esferas".
E de acordo com Roseane do Amaral, diretora de políticas sociais LGBTQIAPN+ e de igualdade racial, "a conquista do voto feminino e todas as conquistas das mulheres brasileiras aconteceram mediante muita luta e durante muito tempo. Precisamos continuar atentas e organizadas para garantir tudo o que conquistamos até agora e também lutar pelos direitos que queremos conquistar", declara Roseane.
Fonte dos dados apresentados: https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/procuradoria-geral-da-republica-pgr/noticias/dia-do-voto-feminino-como-a-maior-participacao-de-mulheres-na-politica-fortalece-a-democracia

