Sindicato cobra esclarecimentos do Banco do Brasil sobre reestruturação da rede de atendimento
Mudanças anunciadas pelo BB reacendem preocupação com impactos sobre o funcionalismo e o atendimento à população em Alagoas
O anúncio de um novo pacote de mudanças na rede de atendimento do Banco do Brasil voltou a gerar apreensão entre os trabalhadores. Diante do processo de reestruturação que prevê a criação de mais de 1.100 funções comissionadas e a reorganização de unidades em todo o país, o Sindicato se reuniu, nesta terça-feira (3), com a superintendência do BB para cobrar esclarecimentos e discutir os reflexos das medidas em Alagoas.
A reunião foi solicitada pelo Sindicato em meio a um cenário de incertezas quanto aos efeitos das mudanças tanto para o funcionalismo quanto para a população usuária dos serviços bancários. Representantes do banco afirmaram que a reestruturação faz parte de uma estratégia de adequação ao atual modelo do sistema financeiro, marcado pela intensificação da digitalização que já responde por cerca de 94% das transações e pela ampliação do atendimento consultivo em segmentos considerados estratégicos.
Após mais de uma década de redução da rede física, período em que o Banco do Brasil fechou aproximadamente 1.557 agências entre 2015 e 2025, a instituição avança para uma nova etapa do processo. Em janeiro de 2026, o banco anunciou a transformação de agências tradicionais em unidades no modelo "loja" e postos de atendimento, aprofundando a reorganização da rede e reacendendo preocupações históricas da categoria.
Para o presidente do Sindicato, Thyago Miranda, qualquer mudança estrutural precisa ser acompanhada de garantias efetivas aos trabalhadores. "O banco apresentou um movimento amplo, que envolve criação de funções, realocação de equipes e mudanças no modelo de atendimento. Nosso papel é acompanhar cada etapa para assegurar que não haja prejuízos ao funcionalismo, que existam oportunidades reais e que os critérios adotados sejam claros e justos", destacou.
Durante a reunião, a gestão informou que não há previsão de fechamento de agências em Alagoas. Segundo os gestores, haverá excedente de agentes comerciais e oferta de novas funções no interior do estado.
A diretora do Sindicato, Roseane Amaral, destacou que a entidade seguirá atenta aos desdobramentos do processo. "Solicitamos essa reunião para entender os impactos dessas mudanças nas unidades e, principalmente, na vida dos trabalhadores em Alagoas. Deixamos claro que exigimos transparência, respeito ao funcionalismo e alternativas justas para quem constrói diariamente o Banco do Brasil", afirmou.
O banco também informou que as agências do estado receberão novos comissionamentos nas áreas de atendimento presencial, relacionamento, governo, agronegócio e investimentos. Apesar disso, o Sindicato manifestou preocupação com a situação dos agentes comerciais e com possíveis excedentes de pessoal, que podem resultar em descomissionamentos e intensificação da pressão por metas. "Processos sucessivos de reestruturação não podem continuar sendo feitos às custas do adoecimento e da insegurança da categoria", alertou o diretor Carlos Alberto.
De acordo com o BB, foi criado um hotsite com informações sobre o processo, além de ações formativas conduzidas pela área de gestão de pessoas e um canal de WhatsApp para esclarecimento de dúvidas. O Sindicato ponderou que essas ferramentas não substituem o diálogo direto nem a responsabilidade institucional do banco com seus trabalhadores.
O Sindicato reforça que qualquer funcionário que se sinta prejudicado pela reestruturação deve procurar imediatamente a entidade. "Não aceitaremos retirada de direitos. Cada situação será analisada com rigor para garantir a defesa do funcionalismo", afirmou Carlos Alberto.
Apesar do discurso oficial de modernização, o Sindicato alertou que os impactos concretos tendem a recair sobre quem sustenta o banco no dia a dia. A preocupação envolve riscos de descomissionamento, sobrecarga de trabalho, aumento das metas e prejuízos no atendimento à população, especialmente nos municípios do interior, onde a transformação ou redução de uma agência pode significar a perda do único acesso aos serviços bancários. "O compromisso anunciado precisa sair do papel. Seguiremos vigilantes para que nenhuma trabalhadora ou trabalhador seja penalizado e para que qualquer mudança ocorra com diálogo e respeito", concluiu Thyago Miranda.

