Marcha pela Terra mobiliza trabalhadores do campo em Alagoas

No período de 3 a 8 de novembro, MST, CPT, MTL e MLST promoverão mais uma Marcha pela Terra, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a necessidade de garantir a desapropriação de quatro áreas emblemáticas em Alagoas: Bota Velha, Cavaleiro ou Bulangi, Sede e São Sebastião.

O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apontou como saída um convênio entre o Governo Federal e o Estado de Alagoas para aquisição desses imóveis. Após impasse quanto à contrapartida do convênio e a saída do ministro Afonso Florence, o governo federal desistiu do convênio, o que agravou o conflito.

Após diálogo com a presidenta Dilma, no dia 2 de abril deste ano os movimentos foram recebidos pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que garantiu um retorno em 15 dias, mas até agora não cumpriu o prometido. O prazo dado pelo Poder Judiciário para suspensão dos despejos terminou em agosto. As famílias estão ameaçadas de despejo. Por isto, os movimentos decidiram marchar.

SITUAÇÃO DAS ÁREAS EM CONFLITO:

1 - Fazenda São Sebastião (Atalaia) - Ocupada por 120 famílias em 2004, faz parte da massa falida da Usina Ouricuri. No local, fica a Escola Itinerante Rosa Luxemburgo, coordenada pedagogicamente pelo MST e, que abriga, no turno da noite aulas de alfabetização de jovens e adultos (EJA). Nessa área foi assassinado em 2005, o dirigente estadual do MST Jaelson Melquíades, morto (segundo inquérito policial) a mando de um consórcio de fazendeiros da região, entre eles o já falecido Pedro Batista, cuja família hoje pertence legalmente a área. Em 12 de dezembro de 2012 as famílias foram despejadas pela Polícia Militar e, em 8 de março de 2013 foi reocupada. O clima na região é tenso e já foi expedida outra ordem de despejo, inclusive com pedido de prisão de lideranças.

2 - Fazenda Cavaleiro ou Bulangi (Murici) - ocupada em 18 de setembro de 2003 por 75 famílias sem terra, coordenadas pelo MTL. As famílias foram despejadas em fevereiro de 2011, de forma violenta pela PM com uso de bombas e balas de borrachas, vários camponeses foram feridas. Após o despejo, as famílias montaram acampamento em frente à sede do INCRA/AL por um ano e seis meses, atualmente vivem de forma precária em barracas de lonas na BR 104. O imóvel faz parte da massa falida da usina São Simeão, atualmente a usina Santa Clotilde explora o imóvel e foi a autora do pedido de reintegração de posse.

3 - Fazenda São Simeão/Sede (900 hectares —; Murici) —; Ocupada por 120 famílias, coordenadas pelo MLST há mais de dez (10) anos, que utilizam aproximadamente 100 hectares do total do imóvel. Quando as famílias ocuparam a propriedade as terras improdutivas estavam abandonada pela Usina São Simeão pertencente às famílias Omena e Nogueira, que são devedoras do INSS, impostos federais e estaduais, companhia energética, passivo trabalhista. O INSS estava adquirido por conta de dividas trabalhistas. Estranhamente foi arrendada pela Usina Santa Clotilde S/A, que entrou com o pedido de reintegração de posse na Vara Agrária, que concedeu liminar favorável à usina. O despejo pode acontecer a qualquer momento.

4- Bota Velha(500 hectares - Murici) - Ocupada em 2002 por 102 famílias sem terra, que ocupam 60 hectares do total da fazenda. Quando as famílias ocuparam a propriedade as terras improdutivas estavam abandonada pela Usina São Simeão pertencente às famílias Omena e Nogueira, que são devedoras do INSS, impostos federais e estaduais, companhia energética, passivo trabalhista. Em 2005 as terras foram arrendadas à Usina Santa Clotilde. Nos últimos três anos a usina Santa Clotilde vem ameaçando as famílias de despejo, destruição das lavouras, das casas e de outras benfeitorias construídas nos últimos 11 anos.

Diante dessa situação, a CUT-AL conclama os sindicatos filiados a apoiar política e financeiramente as entidades que compõem o movimento pela terra para a realização dessa marcha, haja vista a luta pela reforma agrária ser uma bandeira encampada por todas as entidades que defendem um país mais justo e solidário.

Fonte: CUT
Foto: MST

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